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Difíceis vendas de carne impedem subida da cotação dos porcos

A cotação dos porcos em Portugal manteve-se em 1,892€/kg carcaça, na segunda quinzena de Maio, na Bolsa do Porco.

28 de Maio de 2026

A cotação dos porcos em Portugal manteve-se em 1,892€/kg carcaça, na segunda quinzena de Maio, na Bolsa do Porco. São 8 semanas consecutivas sem qualquer alteração na cotação, numa altura em que já esperava que as cotações tivessem subido, fruto de uma menor oferta de porcos.

Em todo o caso, mesmo com menos oferta de porcos e com a descida dos pesos, as vendas de carne, a nível europeu, continuam difíceis e este comportamento do mercado tem impedido que a cotação dos porcos tivesse subido.

E a carne vende-se mal porquê? Porque na Alemanha continua a não haver calor que leve os alemães a fazerem as suas típicas churrascadas que implicam aumento das vendas de carne. Porque em Espanha, devido à Peste Suína Africana, há muitas dificuldades em vender carne para Países Terceiros e a sua carne tem de ser vendida, em grande parte, no mercado europeu. Porque a Dinamarca, que tem liderado as exportações de carne de porco europeia para Países Terceiros, tem dificuldade em conseguir ter preços para competir com as ofertas do Brasil, dos Estados Unidos e da Rússia nesses mesmos mercados. Tudo isto implica que a carne europeia se tenha que vender, em quantidades acima do habitual, no mercado europeu, aumentando a oferta e a consequente dificuldade na subida de preços, quer da carne quer dos porcos.

O mercado do porco encontra-se, portanto, numa encruzilhada. Sabemos que irão aumentar as temperaturas e, com elas, a diminuição do peso dos porcos e a sua oferta para abate. Mas também sabemos que, se não houver aumento da venda de carne, seja no mercado interno seja na exportação para Países Terceiros, dificilmente a cotação dos porcos subirá.

Além disso, temos de juntar a subida dos custos energéticos em toda a fileira, que implicam um aumento dos custos de transporte e dos custos das matérias-primas. Em consequência, aumentam os custos de produção e é natural que, quer a produção, quer a indústria necessitem de aumentar os seus preços de venda. Mas para aumentar os preços de venda, o mercado tem de o permitir. Se não aumentar a procura de carne, que permita aumentar o seu preço de venda, também não aumentará a procura de porcos para abate e a possibilidade de aumentar o seu preço aos produtores.

Todo a fileira quer uma subida, mas sem condições de mercado para isso, esta irá tardar.

No que diz respeito à evolução das cotações europeias do porco, em Espanha a cotação subiu 0,005€/kg PV (+0,007€/kg carcaça) para 1,275€/kg PV na segunda quinzena de Maio (1,700€/kg carcaça). De acordo com as informações da Mercolérida, o peso baixou 600g para 94,4kg em carcaça nesta quinzena.

Na Alemanha a cotação manteve-se em 1,60€/kg carcaça na segunda quinzena de Maio. Os pesos em carcaça baixaram 100g para os 98,5kg. O mercado alemão continua misto entre regiões. Há zona com excedentes e dificuldades relacionadas com a existência de feriados que reduzem os dias de abate, enquanto outros descrevem um mercado equilibrado, ou mesmo com disponibilidade limitada. No geral, o mercado é considerado estável. No sector da carne, o ritmo de vendas continua fraco. Nem o Pentecostes nem a época dos churrascos são suficientes para reactivar o comércio de forma sustentável. As condições climatéricas instáveis ​​​​estão a prejudicar o consumo e os stocks de produtos processados ​​​​permanecem elevados.

Nos Países Baixos a cotação manteve-se em 1,31€/kg carcaça na segunda quinzena de Maio.

Na Bélgica a cotação baixou 0,06€/kg PV para 1,23€/kg PV na segunda quinzena de Maio. O preço acompanhou a tendência de descida anterior do mercado alemão, num contexto marcado pela redução dos dias de abate e pela pressão persistente no mercado da carne. Apesar disso, os pesos continuam significativamente inferiores aos do ano passado.

Na Dinamarca a cotação manteve-se em 1,29€/kg carcaça na segunda quinzena de Maio.

Em França, a cotação manteve-se em 1,433€/kg carcaça na segunda metade de Maio. Os pesos subiram 600g para 97,7kg e estão 400g acima do peso de 2025, o que é perfeitamente natural, pois o calendário francês apresentou feriados em todas as semanas do mês de Maio, reduzindo o número de dias de abate. É provável que este aumento dos pesos se reflicta ainda durante o arranque do mês de Junho, até que o mercado volte ao “normal”.

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